Planeta Gondomar

July 05, 2009

Terrear

Leve, breve, suave

Daniel Faria. Música e palavras. Melhor: música e música (in)acabada.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 10:20 PM

Sul



IMIGRAÇÃO
Os meus braços voam para o sul
Muito lhes dói o cimo das montanhas

Daniel Faria

by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 09:17 PM

Espero bem que não


Finalmente disponível, o blog oficial da miramaxmen. É este o endereço:http:// miramaxmen.blogspot.com. Juntem as vossas sugestões pelo email: mira.maxmen@gmail.com

by Contactos (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 08:12 PM

Viver em Basileia

Preparing Vietnam

In one of my last posts, I referred that one of the good things of being in Basel is that it is easy to be in other places, quickly. In Germany, France, Italy, which is a very nice to have.
When I wrote this, I was not referring to Vietnam, of course, it is a bit further from here :)

But the truth is that I started to prepare my traveling to Vietnam. So my preparation had in its list:
  1. Finding out what to take in terms of pills, diseases, shots. I know I might get malaria so some pills are required, as well as yellow fever, pink fever, big toes fever, hair growing on the eyes, and a lot of other things. The best thing to do is to take a knife and kill all the mosquitoes that come in my way!
  2. Second thing on the list is shopping. I must take "special" kind of clothes. Actually they are not special, it just happens that I don't have them. Anyway, this item passed to first place because it's done now. Shopping with friends is much easier, they chose, they say it's always great and that's it, 30 minutes shopping for special Vietnam clothes
  3. Get some nice presents for the team in Vietnam. I will meet some colleagues for a work project and I must take something nice. I heard chocolates might melt... hum, that spoils all the fun!
  4. I know there should be an item 4...I wonder what it is!
  5. Prepare luggage. Boooooring! But not so hard, I'm used to prepare it every few weeks.

by Bruno (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 03:12 PM

Together for Nature

I took part of an international project in Vilnius, Lithuania, called Together 4 Nature.
I don't have many pictures, since I trusted I would get them all from all the people :) well...I'm still waiting :)
The project had to do with gathering some young people from several countries to produce some material concerning nature. So we made a magazine with articles and opinions, some short movies, among other things.

You can check the movie making of and the project itself.


by Bruno (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 02:58 PM

Short trip to Paris

Living in Basel has many goods things, being one of them the fact that one can travel easily to other places :)
So, during Easter, I could not go home to the family and all the things, so I went to Paris and spent it with some friends there that happened to stay there during that time.

So, bellow are some pictures from Paris. Of course, everyone already saw or been in Paris but it was my first time ;)

by Bruno (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 02:45 PM

Terrear

As Horas Extraordinárias Afectam de Modo Adverso as Famílias


Cuanto más trabaja un hombre, más posibilidades hay de que despidan a su esposa

Las horas de trabajo extra están afectando a las familias y perpetuando el modelo laboral masculino tradicional, señala una investigación reciente realizada por sociólogos holandeses. Las empresas cada vez exigen más horas extraordinarias a sus empleados, pero éstas son cumplidas más por los hombres que por las mujeres, de las que se espera que no desatiendan su hogar. La situación va en detrimento de la calidad de vida de la familia y también del estatus laboral de las mujeres. Los investigadores calculan que si un marido trabaja más de 60 horas por semana, su esposa es un 42% más propicia a perder su posición laboral, porque ella ha de ocuparse sola de la familia y, por tanto, no puede cumplir con las exigencias demasiado elevadas del mercado laboral actual.

Fonte

by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 02:19 PM

Da Origem da Felicidade


De un tiempo a esta parte, diversos investigadores han intentado encontrar el origen genético de la felicidad humana, es decir, los genes que favorecen el optimismo y el bienestar. Ahora, científicos de la Universidad de Tel Aviv tratan de identificar exactamente los genes que hacen que nuestra percepción de las cosas sea más positiva o más negativa. En paralelo, investigan también con las aplicaciones de la llamada “psicología positiva” en el tratamiento de pacientes con trastornos neurológicos. Todo en un esfuerzo por aplicar la felicidad a la medicina clínica, y por entender el substrato genético de la dicha para, tal vez, algún día ser capaces de rediseñarla genéticamente.


by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 02:13 PM

Alunos, Sofrimento dos

Diversas (e poderosas) são as razões do sofrimento dos alunos. Para só referir algumas, poderia citar o défice de sentido de muito do trabalho escolar, que rapidamente conduz ao insucesso e ao abandono escolar; a forte selectividade que marca grande parte da organização curricular e é a pedra angular do regime avaliativo (principalmente no ensino secundário) e que tem inflacionado a ‘indústria das explicações’; o veredicto escolar, com o seu efeito totalitário e definitivo que dura toda uma vida (basta lembrar que a nota da licenciatura, por exemplo, nunca se poderá transformar e tenderá a marcar toda a vida pessoal e profissional; mesmo o casamento, com o carácter muitas sagrado e vinculativo, pode cessar; mas a nota é definitiva); o acesso ao ensino superior, que com a sua aparência meritocrática de equidade, gera todo um conjunto de angústias e de injustiças(quem se não lembra que uma décima impediu centenas de alunos de realizarem o seu sonho; quem se não lembra que alguns deles tiveram de emigrar para Espanha….; quem não se lembra da "indústria" das permutas de cursos...) ; o prolongamento da adolescência e das situações que enclausuram os jovens numa dependência desesperante; a fragmentação dos saberes, tempos e espaços que os transformam na ‘matéria prima’ de uma cadeia de montagem de tipo industrial. A escola a tempo inteiro neste paradigma de escolarização está à beira da instauração de um regime totalitário. A escolaridade é, assim, para muitos alunos, um túnel no fundo do qual não se vislumbra qualquer luz.
Reféns do modelo escolar e de um mundo de trabalho que desqualifica as competências e precariza os vínculos laborais, os alunos estão à deriva e lançam um olhar perdido. Buscam, às vezes, só um olhar de compreensão. Uma palavra de afecto. O sofrimento dos alunos é também o sofrimento dos professores. As intervenções sistémicas que se vão operando têm de resgatar estes sofrimentos. Se quisermos começar a construir a escola do novo milénio.

(Às vezes choro sem niguém ver. Às vezes desisto. Às vezes morro por dentro. Morro por fora. Às vezes o mundo pesa tanto, pesa tanto. Às vezes apetece-me gritar. Às vezes grito. Alguém me ouve? Alguém nos ouve? )

(com agradecimento a TM)

Pequeno Dicionário dos Absurdos da Educação

by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 02:08 PM

Sílabas Líquidas

Leio, devagar, um presente. Poesia, de Daniel Faria, numa edição de Vera Vouga.
Leio:

EXPLICAÇÃO DA ESCUTA
Ninguém me chama

Escuto o calcanhar do pássaro
Sobre a flor
E não respondo

EXPLICAÇÃO DE RICARDO REIS
Os rios amo, lídia, lentos
E largos sobre o solo.
Que em um dia as crianças se banhando neles
Se enxugam ao sol e correm.
E pela velocidade podem
Aos astros comparar-se.

EXPLICAÇÃO DO SORRISO
A mãe disse-lhe escreve-me
De lá de longe para onde vais
E ela disse não é longe casar
E a mãe sorria cega de dor
E parecia de deslumbramento

ÚLTIMAS EXPLICAÇÕES

Explicação do amor e do orvalho

Uma fogueira no meio da noite cerrada
Por um homem com os olhso rasos de água

ÍTACA
O que dói
É não poder apagar a tua ausência
e repetir dia após dia os mesmos gestos

O que dói
é o teu nome que ficou como mendigo
Descoberto em cada esquina dos meus versos

O que dói
é tudo e mais aquilo que desteço
Ao tecer para ti novos regressos

Daniel Faria: Viveu 28 anos "a respirar um clarão" (1971 - 1999). "Morre jovem quem os deuses amam."

by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 01:15 PM

ELA

Um dos mais notáveis cronistas portugueses.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 05, 2009 01:14 PM

Dois dedos de prosa e poesia

July 04, 2009

Terrear

Nuvem

Socorre-me, devolve-me a leveza
Da tão primeira nuvem que avistares

Daniel Faria, Poesia. Famalicão: Quasi, 2003

by JMA (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 11:22 PM

Os Restos de Pessoa no Exame

1. Um amigo (autor de blogue infra referido) enviou-me, mesmo agora, esta mensagem:

"Porque esta será também sempre a tua área... onde não deixará de haver olhar crítico para questionar citações controversas (cf. citação de Mega Ferreira no exame da 1ªfase de 12º ano), quando tantos estudiosos pessoanos conceituados podiam ter sido validamente apreciados e foram preteridos."

2. O exame de Português, 12ºano, na questão referente a Fernendo Pessoa, está aqui:

B
Comente a opinião, a seguir transcrita, sobre a teoria do fingimento poético em Pessoa ortónimo,
referindo-se a poemas relevantes para o tema em análise.
Escreva um texto de oitenta a cento e vinte palavras.
«É na poesia ortónima que o Pessoa ‘restante’, o que não cabe nos heterónimos
laboriosamente inventados, se afirma e ‘normaliza’: é então que ele ‘faz’ de si e os seus
poemas são ‘chaves’ para compreender o seu extraordinário universo literário.»


António Mega Ferreira, Visão do Século – As Grandes Figuras do Mundo nos Últimos Cem Anos,
Linda-a-Velha, Visão, 1999


3. Esta arrevezada opinião - e uma sintaxe obscura - devem ter deixado os alunos (e os professores) sem saber muito bem o que comentar.

4. Por isso, o post e o lamento. Aqui.

5. Malhas que os exames tecem.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 07:54 PM

Espero bem que não

Hoje, no Expresso. O que se deve e não deve levar para um piquenique.


O que deve levar para um piquenique:


Deve levar tudo o que se lembre e essa ideia de que só se deve levar o absolutamente indispensável é absolutamente desajustada. Sendo assim, eis as coisas a levar para viver a sério um piquenique:

1 – A televisão. Nada melhor do que em plena natureza, desfrutar de um belíssimo filme com Richard Dean Anderson ou David Hasselhoff. São sempre muito apetecíveis. E é bom ver estas aventuras ao som do relinchar dos grilos. E não me venham agora dizer que os grilos não relincham.

2 – O Blackberry. Para estar atento ao índice Nasdaq. Conheço muito boa gente que se mete em piqueniques destes armado aos cucos e depois perde oportunidades incríveis de negócio por não estar devidamente actualizado. E depois queixam-se que é a crise.

3 – A bandeira de Portugal. As pessoas parece-me que agora só usam as bandeiras nas varandas ou quando a selecção joga. E não devia ser assim. A bandeira de Portugal devia ser usada para marcar território como fez - e muito bem - o Neil Armstrong quando chegou à lua. Deve pois chegar-se ao local escolhido para o piquenique e erguer a bandeira do nosso país para toda a gente perceber onde está. E antes de atacar o presunto, sugiro que se cante o hino.

4 – Panados. Os panados são essenciais a qualquer piquenique. Aliás, acho que a sua comercialização só devia ser feita para este fim. Exactamente como acontece por exemplo com as farturas, que só são vendidas em roulottes de entusiásticas celebrações populares. Ninguém no seu perfeito juízo vai a uma pastelaria e pede uma fartura, do mesmo modo que ninguém faz panados para comer ao jantar. Panados é para um piquenique.

5 – Esparguete. O esparguete é possivelmente o nutriente mais útil para este tipo de actividade lúdica. E porquê? Porque não só dá para uma rápida e muito práctica refeição, como serve igualmente para jogar Mikado, que é um jogo muitíssimo bonito. Atenção que podem jogar mikado e depois comer o esparguete, mas o contrário é manifestamente impossível.

6 – Berma da Estrada. O melhor sitio onde se deve fazer um piquenique é a berma da estrada de uma boa estrada nacional. É certo que as bermas da estrada e também as esquinas de rua gozam de má fama, mas está na altura de alguém lhes devolver a dignidade que outrora tiveram. Estar num piquenique e ir cumprimentando os carros que passam, é dos exercícios cívicos mais salutares que poderão experimentar. É nestas ocasiões que se pode encontrar o primo que há tanto não se via ou o vizinho da frente que julgávamos ter falecido. A desvantagem é que atendendo à velocidade com que passam é impossível manter qualquer tipo de diálogo. E é uma pena.

7 – A mesa da sala de jantar. É isto que estão a ler e a verdade tem que ser dita. As mesas dos piqueniques são demasiado frágeis e basta vir uma rabanada de vento e caiem os panados ao chão. Não é que não saibam bem, também bem assim, mas a terra às vezes pode não estar bem tratada e acabamos a comer pesticidas variados e seguramente nocivos.

8 – O sofá lá de casa. Não me venham com essas cadeirinhas que se compram à beira da praia, que eu não compro. Nestas coisas, quando fazemos um piquenique, devemos sentirmo-nos em casa. E nada melhor, do que levar uma parte dela connosco. O sofá é essencial e se for um de 6 lugares tanto melhor. Nada melhor do que ter uma família numerosa, sentado num sofá, vendo televisão de pés estendidos na relva e com a selva amazónica a abraçá-los de fundo.

9 – Um chapéu de uma conhecida marca de tintas. Perdeu-se o hábito de se usar chapéu em Portugal, será possivelmente uma tendência universal – maldita globalização – mas a verdade é que nestas ocasiões as mulheres devem usar um daqueles chapéus de palha que estão sempre a voar com o vento. E o homem deve fazer uso de um bom chapéu amarelo metido entre as orelhas e com a marca de tintas na pala. Isto faz-me sempre lembrar alguns filmes franceses pouquíssimo ortodoxos.

10 – Rádio para ouvir o relato. É certo que há televisor, mas não contem com tvcabo no meio da floresta porque não vai haver. E o Benfica pode muito bem estar a jogar contra o Alverca e nós a perdermos lances importantes para a nossa edificação enquanto pessoas e seres humanos extraordinários. Os da renascença são muito bons porque têm o Ribeiro Cristóvão. E é delicioso ouvir a harmoniosa junção do som da televisão, do relato e do barulho das crianças, com o som límpido da natureza




O que não se deve levar:

- Comida de casa. Não deve levar em caso algum. Isso é como levar areia para o deserto. Então vai para a natureza onde há tantos elementos naturais comestíveis e não se aproveita isso. Não tem qualquer sentido. Deve levar-se a nossa cana de pesca e pescar um bom robalo para servir com espigas de milho, por exemplo.

- Fósforos. Não não e não. Então as campanhas servem para quê? Nada de fósforos para a floresta porque é perigoso, podemos provocar um incêndio e em sequência disso, podem vir os bombeiros que obviamente se vão alambuzar à comida que temos na mesa. Verdade. Os bombeiros estão sempre a pedir comida nestas ocasiões e por isso não é boa ideia provocar um incêndio.

- O carro. Nem pensar em levá-lo. Embora possa ser penosa a distância entre a cidade e o campo, a verdade é que deverá entender um piquenique como uma peregrinação a Fátima. É cansativo, mas depois é muito compensador. A grande diferença, é que não há milagres.

- Guarda Chuva. Isso é contra natura. Se chover deve assumir-se isso e aproveitar essas lágrimas do céu ( bela expressão esta) para sorvê-las com gosto ou então reunir toda a família e fazer um bonito remake do célebre clássico “Serenata à chuva”. Quem anda à chuva, molha-se. Para quê contrair isto?

- Não leve armas. Vai para um piquenique, não vai para o vietnam e os piqueniques costumam ser muito pacíficos, uma escaramuça de vez em quando por causa dos panados, uma galheta ou outra por causa dos míudos, mas é muito raro haver tiroteio. Aliás, não me lembro que alguma vez tenha havido. Mas quase que aposto que nos Estados Unidos um maluco qualquer já deve ter feito asneira no meio de um piquenique. Mas pode ser que não.

- Não levar pessoas que não gostam de piqueniques. Não se devem levar pessoas que não gostam de piqueniques, mesmo aquelas que dizem que não gostam e não experimentaram. Essas pessoas nunca vão gostar e mais do que não gostar, vão prejudicar as que verdadeiramente gostam de piqueniques. E eu gosto, embora nunca tenha feito nenhum.

- Escrever bem a palavra piquenique. É imperioso dizer bem a palavra piquenique e sobretudo escrevê-la bem. Não é pic à pic, nem picanic, é, e passo a escrever para ficar registado em acta: piquenique. Estamos conversados?
- Não usar camas de rede. De maneira alguma. As razões são muitas. A primeira, é que há sempre muita gente a dar-nos um abanão mais forte do que necessário e já não é a primeira vez que alguém que estava numa cama de rede vai parar ao rio Trancão. Depois, porque são poucas as pessoas que conseguem manter uma estética muito distante de um vulgar chouriço.

- Não levar livros de instruções de nada. Isso tira a graça de tudo. E a natureza é descobrir e por vezes quando não seguimos as instruções descobrimos coisas novas. Ainda outra dia, uma amiga minha foi ao IKEA comprar uma cama e depois de montada, percebeu que tinha acabado de construir uma estante para livros. E que muito jeito lhe dá. Dorme é no chão da sala. Isso é que é mais aborrecido.

- Não ler coisas como esta que está a ler agora. Porque devia estar a fazer coisas mais úteis do que ler disparates uns a seguir aos outros de um tipo que tem a mania que tem graça. E que não se lembra de fazer um piquenique. Mas que – como a foto documenta – tem uma camisa igualzinha a toalha de mesa tradicional de um.

by Contactos (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 06:33 PM

Terrear

Aprendizagem da Escola

A escola é uma organização que supostamente ensina e onde muitos alunos realizam aprendizagens fundamentais; no entanto, “a ironia da realidade escolar está no facto de instituições dedicadas à aprendizagem não terem, elas próprias, o hábito de aprender”. E não têm o hábito de aprender porque os indivíduos que as integram não querem ou simplesmente não vêem nisso qualquer vantagem; ou têm outros interesses
prioritários; ou não sentem o apelo da consciência profissional; ou não dispõem de lideranças mobilizadoras e pró-activas; ou se acomodam à continuada certificação da menoridade intelectual; ou não sentem a pressão externa para; ou… E as organizações só aprendem através de indivíduos que aprendem.
Assim, para que uma escola aprenda (com os seus erros, êxitos, limites, insuficiências…) é preciso induzir a maioria dos seus membros a querer aprender. E a gerar cinco grandes processos de acção:

i) resolução sistemática dos problemas. Diagnosticar os problemas concretos e passíveis de localmente serem resolvidos ou minorados e ter capacidade para os resolver através da reflexão crítica e novos modos de acção (mudando, muitas vezes de perspectiva e de modelo);
ii) experimentação com novos pontos de vista. Se enfrentarmos os novos problemas com as velhas receitas (mais ordem, mais autoridade, mais ensino,
mais do mesmo…) então não aprenderemos nada…
iii) aprender com a experiência passada. Porque só analisando as causas dos êxitos e inêxitos poderemos progredir.

E aqui seria inteiramente dispensável o simulacro dos relatórios que nada dizem, nada adiantam, nada melhoram. Apenas cumprem o ritual burocrático. E a (quase) todos sossega. Sobretudo aos detentores do poder hierárquico e a todos os seus mandatários. O absurdo é antigo mas persistente. Comandar a partir do centro é continuar a caminhar para o desastre. Pena não haver quem queira ver.

(Aprender... Aprende-se, apreende-se perguntando.
Que foi que fiz de bom? Que fez do bom ser bom? Do mau ruim?
Que sabor posso, devo repetir? Que sabor sabe melhor hoje. E amanhã?
Que memória posso guardar para fugir dela?
Que perguntas posso, devo fazer?)

by JMA (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 06:13 PM

Da Amizade

A crónica de hoje de Miguel Santos Guerra:

Hay declaraciones de amor y declaraciones de amistad. Palabras son amores. Pero hay también comportamientos que definen la amistad y que la consagran como uno de los sentimientos más hermosos de la vida. Tienen que ver con la generosidad, la ayuda, el apoyo, el respeto, el afecto, la ternura, la lealtad y la confianza, Y con la libertad. Porque la amistad no presiona, no atosiga, no asfixia.Veo con tristeza y asombro en la televisión declaraciones de una ferocidad inusitada. Traiciones, deslealtades, calumnias, agresiones.
- Pero, ¿no eran amigos?- Sí, eran, pero se han convertido en enemigos encarnizados.
Por dinero. Por egoísmo. Por orgullo. Por venganza. Cuando veo estos espectáculos de deslealtad pienso en las amistades que duran toda la vida. En esas amistades construidas sobre la incondicionalidad del afecto, sobre la alegría de la generosidad. Porque lo que se hace por un amigo no cuesta.Un niño lleva sobre sus espaldas a otro de mayor estatura y peso que los suyos. Alguien, que ve el esfuerzo sobrehumano que está haciendo, se le acerca y le dice:
- Pesa, ¿eh?- ¡Qué va, si es mi amigo!
Tener amigos es un arte. No tanto el iniciar la amistad sino el conservarla a través del tiempo y de las vicisitudes de la vida. Hay quien crea tantas amistades como destruye por no saber cultivarlas. Porque una amistad es como un árbol, que hay que regar abonar y podar y proteger de plagas y de vendavales. Así da flores y frutos.
Tengo en mis manos un hermoso libro de Malba Tahan, seudónimo con que el profesor Julio César Mello e Souza se dio a conocer fuera del aula por sus numerosos libros, en los que crea una didáctica propia y divertida, ingeniosa y amena. El libro se titula “El hombre que calculaba” y en él se narran los numerosos desafíos que afronta Beremiz Samir, matemático persa, en un antiquísimo Irak habitado por califas, jeques y visires. En cada uno de los relatos Samir demuestra su extraordinario dominio sobre los números, que siempre va acompañado por la razón ética, por la justicia y por el anhelo de paz entre los seres humanos Samir fue recibido una mañana por el califa de Bagdad. Una vez en su presencia, el hombre que calculaba dijo:
- Veo a la sombra de vuestro poderoso trono hombres de valor que cultivan el estudio y dilatan las fronteras de la ciencia. La compañía de los sabios es para mí el más grato tesoro El hombre sólo vale por lo que sabe. Saber es poder. Los sabios educan con el ejemplo, y nada hay que avasalle el espíritu humano de manera más suave y convincente que el ejemplo. Pero no se debe cultivar en el hombre la ciencia si no es para ser utilizada en la práctica del bien. Sobre las paredes de este hermoso salón hay varios poemas que encierran precisamente un total de 504 palabras: una parte de estas palabras está trazada en caracteres rojos y la restante en caracteres negros… En estos versos incomparables que acarician este espléndido salón, encuentro grandes elogios a la amistad. Puedo leer allí, cerca de la columna, la frase inicial de la célebre cassida de Mohalhil: “Si mis amigos huyeran de mí, muy infeliz sería, pues de mí huirían todos los tesoros”. Apenas un poco más allá, leo el pensamiento de Tarafa: “El encanto de la vida depende de las buenas amistades que cultivamos”. Allí, a la izquierda, destaca el incisivo verso de Labid: “La buena amistad es para el hombre como el agua límpida y clara para el sediento beduino”…
El matemático, añadió:
- Así, todo el conjunto es sublime, profundo y elocuente. Pero la mayor belleza está en el ingenioso artificio empleado por el calígrafro para demostrar que la amistad que los versos alaban no sólo existe entre los seres dotados de vida y sentimiento. La amistad es también real entre los números.
Y explicó a continuación el concepto de números amigos. Dijo con sencillez:
- Los números 220 y 284 son amigos; es decir que cada uno de ellos parece existir para servir , alegrar, defender y honrar al otro.
El número 220 es divisible por 1, 2, 4, 5,10,11,20, 22,44, 55 y 110, con excepción del mismo. Si sumamos los divisores de 220 obtendríamos una suma de 284. El número 284 es, a su vea, divisible por los siguientes números: 1, 2, 4, 71 y 142, con excepción del mismo. Si sumamos los divisores de 284 obtendríamos 220.
Y concluyó:
- Entonces, rey generoso y justo, las 504 palabras que forman el elogio poético de la amistad fueron escritas de la siguiente forma: 220 en caracteres negros y 284 en caracteres rojos y los números 220 y 284 son números amigos. Y he aquí una relación más y no menos impresionante:
- Las 50 palabras completan 32 leyendas diferentes. Pues bien, la diferencia entre 284 y 220 es 64, número que, aparte de ser cuadrado y cubo, es precisamente igual al doble del número de las leyendas dibujadas.
¿Curiosa coincidencia? ¿Ingeniosa explicación? En cualquier caso un hermoso canto a la amistad. Al que me uno. La amistad es una de las columnas que sostienen nuestro mundo. Amistad entre niños, entre jóvenes, entre adultos, entre ancianos. Entre blancos y negros. Entre hombres y mujeres. Entre ricos y pobres. Amistad que hay que cultivar con tesón., con perseverancia. Recuérdese el hermoso proverbio chino: Recorre frecuentemente el camino que lleva al huerto del amigo, de lo contrario crecerá la hierba y no podrás encontrarlo fácilmente.

Fonte

by JMA (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 06:06 PM

Dois dedos de prosa e poesia

PS exclui duplas candidaturas socialistas a câmaras e ao Parlamento

O secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates, e os presidentes das federações distritais determinaram hoje, numa reunião não divulgada previamente, que os candidatos a presidentes de câmara não se devem candidatar em simultâneo a deputados na Assembleia da República.

 

Recorde-se que o PSD, aquando da confirmação da divulgação dos primeiros candidatos para as autárquicas, tinha já tomado esta decisão em nome da "verdade" e da "transparência".

 

João Tiago Silveira, porta-voz do PS, disse que foi decidida uma "orientação geral", no sentido de impedir "duplas candidaturas" a uma autarquia e a um assento na Assembleia da República.

 

Da reunião do PS, que aconteceu esta noite, resultou ainda a aprovação de três critérios: "abertura, renovação e unidade", de acordo com o porta-voz do partido."Abertura, honrando uma tradição antiga do PS de abertura à sociedade civil e de candidaturas independentes, renovação dos deputados do PS na Assembleia da República e unidade no sentido de as listas incluírem as várias sensibilidades e opiniões do PS", explicou.

 

in PÚBLICO

 

by André Portelinha at July 04, 2009 02:01 PM

Espero bem que não

Jornal de Notícias sobre a speaky

Oito mil viram Alvim em directo da cama

2009-07-02

A conferência de imprensa que assinalou o início das emissões do canal de televisão na internet de Fernando Alvim, Speaky TV, foi vista em directo por oito mil pessoas, revelou o humorista e apresentador no seu blogue "Espero bem que não". Veja o vídeo.

Tal como tinha divulgado, Alvim assinalou no dia 25 de Junho o arranque das emissões, deitado na cama, na sua casa na Costa de Caparica, ao lado de uma amiga, evocando John Lennon e Yoko Ono. A sessão terminou com uma actuação de Manuel João Vieira e B Fachada, colaboradores do projecto. No You Tube, o final da conferência e o concerto também foram vistos mais de mil vezes. O site de partilha de vídeos acolhe ainda a apresentação do projecto, e dos restantes colaboradores, que regista mais de 1400 exibições. Nuno Markl, Solange F e Rui Pedro Tendinha são algumas das figuras, entre as mais conhecidas que se associaram à iniciativa.

Dos conteúdos do canal fazem parte a entrega dos prémios Monstros do ano e o Festival Alternativo da Canção que também foram emitidos em directo. O Speaky TV recupera o programa da SIC Radical "Boa noite Alvim", cuja primeira edição teve como convidado Emídio Rangel.

A parte formativa não foi esquecida: na área intitulada "Tele-escola", encontra-se já uma aula de danças sevilhanas.

by Contactos (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 09:34 AM

Correio da Manhã sobre a Speaky

27 Junho 2009 - 00h30

Speaky. TV: Emídio Rangel critica

“O Nuno Santos é insignificante”

Emídio Rangel deu uma entrevista à televisão de Fernando Alvim, Speaky.TV, onde fez duras críticas ao director de Programas da SIC. "O Nuno Santos é insignificante", disse, acrescentando: "Já não o conheço."

Nuno Santos e Emídio Rangel trabalharam juntos na SIC entre 1992 e 2001. Nessa época, Rangel era director da estação de Carnaxide e incompatibilizou-se com o então director da SIC Notícias. Em causa estava a fusão das duas redacções. A partir daí não voltaram a relacionar-se. Agora, Rangel acusa: 'Na altura fui traído pelo Nuno. E eu nunca estou disponível para ouvir os traidores.'

Rangel, que assume ser uma pessoa 'polémica', nega as críticas de 'ser gastador'. 'Nunca fiz nada na SIC que não fosse enquadrado no orçamento, que era visto pelo Balsemão, que é um unhas de fome.' Sobre o estado actual da SIC, Rangel defende: 'O Balsemão só ganhou dinheiro quando lá estive, depois tem vindo a descer. A SIC agora está de rastos.'

Na mesma entrevista ao programa ‘Boa Noite Alvim’, gravada há cerca de 15 dias na casa do apresentador e disponível no site www.Speaky.tv, Rangel defende ainda que Manuela Moura Guedes 'não pode apresentar' o ‘Jornal Nacional de 6ª’ 'por razões estéticas'. O ex-director da SIC, que esteve envolvido no projecto da Telecinco para o quinto canal de TV, acusa: 'A Manuela é uma pessoa preguiçosa. As perguntas que faz aos seus convidados, nota-se que não são trabalhadas. É uma coisa feita às três pancadas.' Além disso, Rangel garante que na troca de acusações de Moura Guedes e António Marinho Pinto, esteve 'do lado do bastonário'.

No fim da entrevista Emídio Rangel assume mesmo que 'José Eduardo Moniz só deixa Moura Guedes aparecer no ecrã porque é mulher dele'.

by Contactos (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 09:25 AM

Joel Neto sobre a Speaky no Diário de Notícias

crónica de TV

Um endereço: www.speaky.tv

por Joel Neto30 Junho 2009Comentar

Entre a morte de Michael Jackson e o debate em torno da PT, quase passava despercebido um importante advento: o lançamento da Speaky.TV, de Fernando Alvim. É um pequeno canal de televisão, sim. Só emite via Internet. E nem sequer é a primeira estação online (longe disso) lançada em Portugal. Mas reúne, como nunca antes se reuniu, uma série de condições fundamentais à criação de um culto: um "patrão ao mesmo tempo marginal e mediático, colaboradores sonantes (Nuno Markl, Manuel João Vieira, Inês Meneses…), uma clara noção de soudbyte (como o demonstra a escolha dos primeiros entrevistados) e uma capacidade de mobilização que pode muito bem pôr de pé um projecto mais do que experimental.

Se poucos o sabiam até aqui, a partir de agora ninguém o ignora: qualquer um pode ter uma estação de TV - e para isso não precisa de mais do que uma câmara (que qualquer computador tem), um microfone (idem) e uma boa ligação web. Ou muito me engano ou as "televisões pessoais" nascerão como cogumelos. Para já, Alvim vai à frente: por causa da forma como marcou a actualidade com a entrevista a Emídio Rangel, por causa do humor (atenção a É Como Diz o Outro) e por causa da cultura (idem com Pedro Paixão e José Luís Peixoto). Tudo (ou quase tudo) feito a partir do quarto de cama.

Parece brincadeira, mas não é: é um fenómeno destinado a marcar a TV convencional como a blogosfera marcou os jornais.

by Contactos (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 09:21 AM

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AVALIAÇÃO

Evoco um momento da aula terminal de mestrado. Distribui-se um cartão amarelo. Num dos lados, uma pergunta sobre a problemática geral do mestrado em administração e organização escolar (à qual eu teria depois de responder); no outro um juízo avaliativo sobre a disciplina. Avaliar para aprender; aprender para confirmar e melhorar. Foi assim, hoje, no final de 30 horas do Seminário de Projecto:

1. Excelente papel:
- na "apresentação" de autores fundamentais para a compreensão do papel da escola, funcionamento do sistema educativo, profissionalidade docente;
- na promoção da nossa reflexão;
- na "desinstalação" do previsível, do imediato, do simplista, do aparente;
O que poderia ter sido ainda melhor:
- um "resumo" inicial e estruturante sobre a) evolução do sistema educativo, b) evolução da concepção de escola, c) e respectivas perspectivas críticas. (só para poupança do nosso tempo!)
2. As aulas foram, sem excepção, momentos de "abertura" de horizontes. Ambiente propício à partilha, reflexão e aprendizagem. A disponibilidade do professor e o seu profissionalismo são inspiradores e modelo a seguir. Muito obrigada!
3. As aulas desta disciplina/cadeira foram as mais interessantes deste mestrado. Lemos autores e textos pertinentes e interessantes no âmbito da organização e administração escolar, debatemos temas actuais e polémicos, vimos powerpoints e apresentações muito interessantes, apresentamos trabalhos de grupo sobre livros que partilhamos com os colegas e fizemos o nosso pré-projecto com a ajuda preciosa do professor. Foi excelente.
4. Seminário de projecto foi um exemplo de: disponibilidade, motivação, inspiração. E ajudou-me a perceber que tudo o que fazemos deve ser feito com Paixão.
5. A disciplina de SP foi um espaço com muito "sumo" que promoveu o debate e a mudança de "lentes", na minha vida como profissional da educação.
6. Utilizando o parâmetro da A.D.D., EXCELENTE. Os instrumentos e temáticas utilizados foram a todos os títulos marcantes, autênticos "tesouros" que me ajudaram a "perceber" a realidade da escola.
7. A minha reflexão soer as aulas de SP vai em forma de agradecimento. Obrigada pela disponibilidade (um exemplo para qualquer um de nós), espírito crítico, capacidade de partilha e motivação (mesmo em momentos difíceis). Sobretudo, agradeço o exemplo do que é um bom professor e o estímulo para as boas práticas.
8. SP foi
- um espaço de partilha e debate de ideias;
- uma fonte de motivação para a concretização do 1º ano do mestrado;
- um exemplo de disponibilidade e abertura aos outros;
- uma oportunidade de contacto com alguém com uma capacidade de comunicação e diálogo fantástica.
9. Gostei muito das aulas de seminário de projecto, pois ensinaram-me a "olhar" para a escola e a "ver" o seu lado obscuro. Continue a comunicar a avaliação dos trabalhos mal os corrige.
10. As diversas sessões propiciaram a oportunidade de "alargar horizontes", partilhar ideias e opiniões, reflectir... Constitui-se como disciplina integradora de diferentes temáticas, uma disciplina que desenvolveu o espírito crítico, a curiosidade, o interesse e a sensibilidade para essas temáticas.
11. Ao longo das sessões foram debatidas questões que levaram a reflectir as nossas práticas numa perspectiva de mudança e portanto um melhoria das nossas escolas. Penso, portanto, que a disciplina foi muito positiva no sentido em que ao reflectir nos permitiy abrir horizontes, "ver" a Educação com outros olhos.
12. Disciplina integradora de todas as temáticas relativas ao mestrado e à escola. Momentos de reflexão, questionamento, aprofundamento e algumas respostas, mas acima de tudo desenvolvimento do sentido crítico.
13. Como disciplian transversal, foram abordados diversos temas de âmbito geral. Dos diversos trabalhos realizados (individual e em grupo) fomos enriquecendo com o trabalho de leitura, síntese, crítica dos diferentes artigos e livros. As reflexões, a metodologia e o apoio do professor foram momentos fortes da disciplina.
14. Na simplicidade, objectividade e no rigor, a disciplina de seminário promoveu dinâmicas (teorias da motivação) para que todos os docentes utilizem as inteligências para o sucesso das aprendizagens.
15. Área disciplinar do mestrado que nos proporcionou um conjunto de "ferramentas" essenciais para o desenvolvimento do nosso trabalho; uma abordagem diversificada de temas/assuntos fundamentais para a formação pessoal do mestrando.

São 15 os olhares, os textos que tecem uma visão de um tempo passado. Que permanece indelével nas rugas claras do tempo. Porque o professor é esse ser frágil frágil, dedicado, que sabe que a sua missão é fazer aprender o outro, é induzir à "raspagem da tinta com que nos embotaram os sentidos, é gerar a alegria de aprender, fazer germinar a satisfação dos alunos face ao "espanto de ver", que tem a humildade de se situar desprotegido e próximo. Desalinhado face às doxas. Procurando agir de forma congruente com o discurso. Trabalhando de forma mais ou menos incessante na perfectibilidade possível dos desempenhos. Gostando do que faz, gostando das pessoas que tem dante de si. Sendo sempre sensível às particularidades, aos problemas e sempre procurando as saídas possíveis. Olha-se no espelho destas palavras e há uma certa comoção, até alguma dúvida - terei sido mesmo assim? -. Mas a insistência não engana.E em face disto, quase não sei que dizer. Falarão por si, as palavras. Aqui inscritas também como sinal de gratidão. À Amélia, Ana, António, Corália, Gracinda, Iolanda, Lúcia, Lúcia, Luís, Manuel, Maria, Maria, Maria, Maria, Maria.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 04, 2009 01:40 AM

July 03, 2009

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A Lógica Burocrática

O sistema burocrático concebido, na sua versão moderna por Max Weber, funda-se no carácter legal das normas e regulamentos, na formalidade das comunicações, na divisão do trabalho racional, na impessoalidade das relações, na hierarquia da autoridade, na estandartização de rotinas e uniformidade de procedimentos, na valorização da competência técnica e na meritocracia, na separação entre propriedade e administração, na profissionalização, na previsibilidade do funcionamento.

Não obstante as suas vantagens em relação a sistemas de gestão artesanais, a burocracia funda-se em pressupostos ingénuos e negativistas, e supõe uma realidade social, política e organizacional que não existe. Por isso, muitas vezes, a lógica burocrática é insensata, autista, infantilizante e fechada.

Uma acção é insensata quando se deixa determinar pelo formalismo vazio de sentido, quando as decisões não têm em conta as pessoas, as organizações e as especificidades do
contexto, quando a análise se enclausura na razão técnica (estabelecendo a relação meios/meios) e não se deixa orientar pela razão crítica (estabelecendo a relação meios/fins), quando as consequências nunca são interrogadas. É sabida a forte presença da lógica burocrática na “organização política e administrativa da nação”.
Etambém no sistema de ensino, desde o topo à base. Uma presença marcada pelos traços da uniformidade, formalismo, impessoalidade, legalismo e pelo peso centralista.
É sabido que a lógica burocrática conduz (e é intrinsecamente) muitas vezes a uma acção insensata. É o caso dos grandes concursos públicos centralizados de aquisição/distribuição de bens e equipamentos às escolas. Equipamentos que, muitas vezes, as escolas não querem e que permanecem encaixotados. Era o caso dos relatórios de “reflexão crítica” para mudança de escalão. Vazios (a maioria) de qualquer razão, de qualquer efeito, de qualquer sentimento. É o caso das delegações de competências ministeriais. E das subdelegações. E das subsubdelegações. É o caso do controlo de assiduidade dos alunos (designadamente no Ensino Secundário). É sabido que a ordem burocrática é uma ordem infeliz e pessimista. Que perdura porque desresponsabiliza, securiza e protege. Porque cria a ilusão do poder e do controlo.

Mas é também um sistema cego e surdo. Como refere o sociólogo suíço, Philippe Perrenoud, o sistema soviético afundou-se, entre outras razões, porque interditava de dizer as coisas como elas eram. Se o futuro era sempre radioso, se o partido tinha sempre razão, se o
plano era sempre perfeito, se o fracasso estava por definição excluído, era impossível partilhar uma análise e definir um programa de acção. Salvaguardando todas as proporções, a escola sofre o mesmo problema. Cada um sabe que os programas não se podem cumprir integralmente, que certos horários são absurdos, que o sistema de colocação de professores é uma mentira, que os apoios pedagógicos são muitas vezes uma ficção, que o ensino especial é uma falácia, que a escola inclusiva é um ultraje, que a reorganização curricular tende a ser uma mistificação, que..., que...

Quanto tempo será necessário, quantas crises larvares teremos de suportar, para que se possa dizer o que toda a gente sabe e agir em conformidade? Estará a escola condenada
a não ver, a não dizer, a não agir? A interditar uma lucidez colectiva? Não basta que cada um, no seu canto, em silêncio, perca as suas ilusões e assuma os seus lutos, pois isso favoreceria o divórcio entre as pessoas e as organizações. Somente a lucidez partilhada permite afrontar a complexidade e trabalhar para sair dos labirintos. Somente uma coragem cada vez mais alargada permite o resgate das prisões de ver.

Todos somos agentes deste reino da aparência e do faz de conta. Todos temos a nossa cota-parte de responsabilidade neste estado de sítio. Só uma política comprometida e ousada poderá ir abrindo caminhos. Os caminhos da transparência, da liberdade, da autonomia, danresponsabilidade, da confiança.


O sistema burocrático é também fechado, extremamente defensivo e infantilizante para os professores. Quando surge algo de novo (um programa, uma nova área curricular, um novo regime de avaliação, um novo esquema de horário ....), logo se reclama uma circular para se saber que atitude se deve adoptar, ou então, numa versão mais pós-moderna, logo se protesta porque não há/não houve formação. E até os sindicatos (que deveriam prestigiar a profissão docente) logo também concordam, confessando uma perspectiva proletária. Vivemos num sistema infantilizante porque tudo é programado no topo hierárquico. No centro político e administrativo impera a lógica da desconfiança e a ilusão de que tudo se pode regulamentar. Ao nível intermédio procede-se à reduplicação e ao reforço da concentração do poder. No fundo da escala, executa-se (muitas vezes, cria-se a aparência de que se executa) e pede-se constantemente novas circulares que desresponsabilizam e protegem. Neste ciclo vicioso da dependência, só uma revolução no modo de governo é que nos pode retirar deste estado de sítio. E não deixa de ser paradigmático que um dos instrumentos legais mais promissores para pôr fim a esta ordem, previsto no Decreto-Lei 115 de 1998 – os contratos de autonomia –, continue letra morta. Seis ministros passaram – Grilo, Oliveira Martins, Santos Silva,
Júlio Pedrosa, David Justino, ……. – e preferiram não mexer no statu quo. E mesma a ministra Maria de Lurdes Rodrigues que começou enfim por celebrar cerca de vinte contratos e que prometia inverter os modos de agir, cedo abandonou esta via e acabou prisioneira da lógica do sistema. É a aliança de interesses que nos vai mantendo reféns no medo de existirmos.

(JMA, Pequeno Dicionário dos Absurdos da Educação)

by JMA (noreply@blogger.com) at July 03, 2009 11:46 PM

Dois dedos de prosa e poesia

“GONDOMAR É CAPAZ” EM MOVIMENTO

Caminhar por Gondomar

 

Convidamos todos os gondomarenses para uma Caminhada por Gondomar que se realizará no Domingo, dia 5 de Julho, pelas 9h30.

 

A concentração será junto do Pavilhão Multiusos e o trajecto previsto é de 3200 metros pelas principais ruas da cidade.

 

A participação é livre. Compareça e traga familiares e amigos.

 

Vamos provar que Gondomar é Capaz de Mudar!

 

by André Portelinha at July 03, 2009 04:45 PM

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Igualdade de oportunidades de acesso

A ideologia educativa funda-se no princípio da igualdade de oportunidades de acesso à educação. Todos os cidadãos devem ter idênticas oportunidades para aceder à escola e dela retirar os proclamados benefícios pessoais, sociais e profissionais.

Mas, embora proclamada, a igualdade de oportunidades de acesso não existe. E não existe pelo tempo dos percursos escolares (quem gasta diariamente 3 horas no percurso casa-escola-casa não está numa situação de igualdade em relação a quem gasta meia hora); pelos diferentes níveis culturais dos agregados familiares (quem integra agregados com qualificações superiores, bibliotecas, computadores, acesso à net… está numa posição privilegiada em relação a quem não tem nada disso); pelas diferentes qualidades da oferta educativa (equipamentos, qualificação dos professores, gestão da escola….). E os exemplos poderiam continuar...

É, aliás, sabido, através do indicador grosseiro dos resultados dos exames de 12ºano que os alunos das ilhas e do interior têm piores resultados que os alunos da faixa litoral. E ão é, certamente, por serem menos "inteligentes" que os outros....

Daqui decorre que, sendo verdadeira a premissa de que não há igualdade de oportunidades no acesso à educação, os resultados produzidos pelo sistema escolar são relativamente injustos. E que quanto maior for a selectividade do sistema maior injustiça produz. E é por esta razão que a teoria meritocrática tem uma débil consistência. Isto é: o resultado escolar não é a resultante do QI + esforço/mérito individual. E estando em causa esta equação, a legitimidade do sistema educativo pode estar permanentemente em crise.

(JMA, Pequeno Dicionário dos Absurdos da Educação)

by JMA (noreply@blogger.com) at July 03, 2009 01:45 PM

Promover Talentos na Escola

Um excerto da Tese de Lúcia Miranda, em breve em livro, com muitos motivos de interesse:


Neste sentido, Renzulli (2002; Renzulli, Sytsme & Berman, 2003; Renzulli, Koehler &
Fogarty, 2006), tomando em consideração as directrizes da Psicologia Positiva, e ainda,
considerando as componentes presentes no Modelo dos Tres Anéis da Sobredotação, formula um projecto que denomina por “Operação Houndstooh” que integra seis caracteristicas de personalidade dentro do modelo original, a saber: Optimismo, valor, paixão por um tema ou área, sensibilidade para os temas humanos, energia mental e fisica, visão e sentido do destino. A este conjunto de caracteristicas chamou-lhes factores co-cognitivos, assumidos como factores que interagem e aumentam as caracteristicas cognitivas que estao associadas ao sucesso na escola e ao desenvolvimento global de habilidades humanas. Estes factores influenciam o desenvolvimento das habilidades da criatividade e do compromisso com a tarefa, promovendo o desenvolvimento construtivo de comportamentos talentosos adaptativos. Assim, (1) optimismo e uma característica cognitiva com uma grande componente emocional e motivacional, reflecte a convicção de que no futuro os resultados a alcancar serão bons. O Optimismo pode ser pensado como uma atitude associada as expectativas de um futuro que e socialmente desejavel, com vantagem para o indivíduo ou para os outros. E caracterizado por um senso de esperanca e uma vontade para aceitar o trabalho duro; (2) a coragem e a habilidade para enfrentar dificuldades ou perigos, superando medos fisicos, psicológicos ou morais. A integridade e a forca de caracter são manifestações típicas de coragem e representam as marcas mais salientes das pessoas criativas (Renzulli et al., 2003, 2006); (3) a paixão por um tema refere-se a quando um individuo esta apaixonado por um tema, caracteriza-se por emoções fortes e um compromisso com a tarefa; (4) a sensibilidade para temas humanos refere-se a capacidade de compreender o outro, neste sentido, neste valor moral prevalecem relações como o altruismo e a empatia; (5) a energia mental e física tem a ver com a quantidade de energia que um indivíduo está disposto a investir num determinado objectivo para alcancar altos niveis de realização. O carisma, a curiosidade, e a inquietude são componentes da energia mental e fisica; (6) a visão e sentido do destino, as componentes desta caracteristica sao a motivação de ganho, a competência, o locus de controlo, e a motivação intrinseca.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 03, 2009 02:08 AM

Autonomia

A capacidade das pessoas e organizações se dotarem das normas próprias adequadas à sua missão, poderia ser uma definição sintética do conceito. Na história do sistema educativo português, o Decreto-Lei nº43/89 marca o enunciado retórico de uma concessão sempre ausente das práticas da generalidade de todos os actores educativos, quer os do centro quer os das periferias.

Organizado segundo os princípios napoleónicos e burocráticos, o poder político (leia-se os sucessivos governos e em particular os sucessivos ministérios da educação) sempre pregou uma coisa e fez outra. Que a tua mão direita não saiba o que faz a tua mão esquerda. E nas escolas, embora se reclamasse mais autonomia, era também ela uma reclamação retórica.

Porque, como lapidarmente mostrou Michel Crozier, o sistema burocrático embora prive os seus membros da liberdade acaba por os proteger das ameaças dos utentes e dos contextos e os desresponsabilizar uma vez que não são eles que decidem.
Uns pensam, concebem, elaboram, definem regras universais (a maioria das vezes inaplicáveis e estúpidas) e outros executam. Não são, por isso responsáveis pela ineficiência e pela miséria dos resultados. É sempre, em última instância, o ministro que é responsável pois é dele que tudo parte. O ministro é o director-geral e o director da escola. Todos os outros na escala hierárquica são são seus ajudantes.

Ora esta ordem é absurda porque é ineficaz, pessimista, retrógrada e contrária ao mero bom-senso dos princípios da sensatez, da subsidiariedade, da responsabilização, do profissionalismo. Sem autonomia não há educação. Há apenas jogo e simulacro.

(Dentro de alguns de nós há uma vontade de reinventar o fazer dos dias, de poder ser AUTORES de histórias novas, mais imprevistas. Mais expostos, sabemos. Mas queremos o risco de defender algo que nasce dentro de nós. Provar outros possíveis, reconhecer fraquezas e impossíveis. Ensaiar respostas e responder por elas... Alguns de nós...)

by JMA (noreply@blogger.com) at July 03, 2009 01:00 AM

Fugir da escola

Ontem, em jantar de final de ano, vários professores foram homenageados por, entretanto, se terem aposentado. E vários outros, com 55 e 56 anos, aguardavam o despacho de aposentação, após mais de 35 anos de serviço, mas com fortes penalizações no montante da reforma.

Tristes tópicos. Ser professor até aos 65 anos, num quadro de prolongamento da escolaridade obrigatória até aos 12 anos vai ser, em muitas circunstâncias, um suplício de Sísifo.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 03, 2009 12:55 AM

July 02, 2009

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Depois do tempo perdido, regressar ao princípio

A presidente do PSD prometeu hoje mudar os estatutos do aluno e da carreira docente, o sistema de avaliação dos professores e aliviar a carga burocrática a que estão sujeitos, caso vença as eleições legislativas.Esses quatro compromissos farão parte do programa eleitoral social-democrata, anunciou Manuela Ferreira Leite, em declarações aos jornalistas, em Lisboa, a meio de uma reunião sobre educação enquadrada no Fórum Portugal de Verdade do PSD.“No nosso programa não poderemos deixar de contemplar a alteração destes quatro aspectos que estão a paralisar o sistema, estão a torná-lo inviável, desmotivador da acção dos professores”, declarou.

Fonte

Circulam, entretanto, notícias roxas sobre condutas e companhia, agora numa versão mais reduzida (já não as 96 ou as 100 do dr. Fatal, mas a mesma filosofia). Tristes tópicos.

by JMA (noreply@blogger.com) at July 02, 2009 04:28 PM

July 01, 2009

Espero bem que não

Dois dedos de prosa e poesia

GONDOMAR: SANTOS SILVA CANDIDATO A ASSEMBLEIA MUNICIPAL

Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, é cabeça-de-lista do PS à Assembleia Municipal de Gondomar.

 

O socialista disse, citado pela Lusa, que nas eleições autárquicas, no concelho presidido por Valentim Loureiro, «não estão apenas em causa as diferentes ideias e propostas apresentadas pelas diferentes listas, mas está também em confronto a maneira como os diferentes candidatos pensam a democracia».

 

«Em Gondomar travar-se-á um dos combates eleitorais autárquicos mais difíceis», disse a candidata socialista à presidência da Câmara Municipal, Isabel Santos, descrevendo Santos Silva como «um camarada que não vira a cara à luta e aos momentos difíceis».

 

O dirigente socialista disse estar «disponível para todos os debates políticos que entendam fazer, evidentemente com candidatos a presidentes da assembleia municipal», assinalando que esta «não é uma luta política contra quem quer que seja».

 

«O que o povo de Gondomar decidir estará bem decidido e o PS honrará as responsabilidades que o povo de Gondomar lhe quiser dar», apontou.

 

in iol.Portugal Diário

 

by André Portelinha at July 01, 2009 08:44 PM

Planeta B612

"Permanecem o Amor, a Fé e a Esperança, mas o maior deles é o Amor".

by Joana (soares.joana@gmail.com) at July 01, 2009 01:08 AM

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Visões. Deturpações

Avaliação do Desempenho Docente
Modelo de avaliação docente não põe em causa o trabalho nas escolas
29 de Jun de 2009
A aplicação do modelo de avaliação dos professores exige menos tempo do que o estipulado, tanto na versão do modelo completo como na do simplificado, concluiu a consultora Deloitte, no estudo de impacto do modelo de avaliação dos docentes entregue ao Ministério da Educação.

Informação completa no site do ME.

Por uma questão (não apenas) ética, deveria, no entanto, referir-se que este estudo tem escasso valor e merece pouca confiança. Chegar a estas conclusões a partir de 9 escolas que tinham o modelo de avaliação "em marcha" e afirmar que o que é relatado é factual e objectivo só pode merecer uma generalizada reserva. Por outro lado, seria perfeitamente dispensável o recurso ao jargão economês do benchmark para trás e para a frente.

Já agora, em nome da transparência, também seria interessante conhecer o estudo da OCDE prometido para este mês e ver que metodologia gerou que resultados. Espera-se que não seja como o "OMO".

by JMA (noreply@blogger.com) at July 01, 2009 12:28 AM

June 30, 2009

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Decreto

Fica decretado que o homem não precisará nunca mais de duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem como a palavra confia no vento, como o vento
confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
(Thiago de Mello, Estatuto do homem).

Fica decretado que a administração educativa prescindirá do poder inútil, da cegueira
burocrática e da arrogância intimidatória e confiará nas escolas que são o sal da terra. E não confundirá meios (burocráticos) com fins (educativos) e encontrará a sua razão de ser na dádiva e no serviço às comunidades educativas (que têm de ser incessantemente cosbtruídas). Fica decretado que as escolas – e cada um dos seus elementos – serão responsáveis pelos seus actos e tudo farão para servir o melhor possível os seus alunos, potenciando o desenvolvimento das capacidades de cada um. Fica decretado que o professor exercerá a sua profissão com autonomia, dignidade, sentido ético e responsabilidade.
E não precisará de recorrer aos álibis da norma e da doxa e ao bode expiatório. E não aceitará os jugos que uma infinidade de demónios administrativos permanentemente lhe querem impor.

Fica decretado que as famílias amarão (e exigirão) os seus filhos e não os deixarão pelas ruas da amargura. Fica decretado que o(a) senhor(a) ministro(a) da Educação não fará mais nenhum despacho, despacho normativo, portaria, decreto, decreto-lei, proposta de lei que desautorize e maltrate os professores, que insulte a inteligência das pessoas, que desmobilize aqueles homens e aquelas mulheres que têm salvo o sistema educativo do colapso (sempre eminente). Fica decretado.

Fica decretado que os senhores directores gerais e regionais abdicarão da pressão ilegítima, dos micro-nomativos que violam as leis da república e agirão na mais completa lógica de serviço às escolas.
Agora é só começar a incitar, a criar condições objectivas e subjectivas para as melhorias concretas, a valorizar os líderes que vão fazendo a diferença, a agir no terreno.

Era bom que houvesse um Decreto assim. Sabe-se que não são os decretos (as palavras) que nos salvam, como nos lembra a sabedoria evangélica: não é aquele que diz “senhor, senhor” que entrará no reino dos céus. São as acções. Mas este seria um decreto muito diferente dos que proliferam no DR. E poderia ser que as pessoas e as organizações o levassem desta vez a sério. Se conseguissem ver que a salvação profissional não pode deixar de passar por aí. (JMA)

by JMA (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 11:27 PM

Confiança, Lógica de

Todo o sistema social precisa de ser confiável. Os cidadãos precisam de acreditar na qualidade dos serviços educativos que a escola presta. Precisam de confiar que os seus filhos são bem acolhidos, bem tratados, bem instruídos, bem socializados e estimulados. Sem a lógica da confiança não haveria sobrevivência social de um sistema.
È por isso que o sistema educativo preciso de cultivar uma imagem de profissionalismo, de qualidade, de rigor. A formação e certificação de professores por instâncias universitárias; a acção da Inspecção; os Exames Nacionais são dispositivos e instrumentos promotores de uma imprescindível confiabilidade social.

O problema é que para que o sistema seja merecedor de confiança, cultiva-se muitas vezes a lógica do simulacro e da aparência. O que interessa não é o que é, mas o que aparenta. Daí a cortina dos planos e dos relatórios, das cerimónias de envolvimento e da mediatização.

Se o sistema quiser sobreviver tem de promover uma confiança real, autêntica, verdadeira. Tem de se abrir e mostrar os seus pontos fortes e fracos. Porque, ao fim e ao cabo, todos podemos ganhar com uma prática de abertura, condição necessária ao reconhecimento e à entre-ajuda. (JMA)

by JMA (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 11:20 PM

Escolaridade Obrigatória - recomendações

Recomendações
Em síntese, relativamente às duas dimensões constantes da Proposta de Lei, o CNE recomenda:
1 — O entendimento da universalidade da educação de infância agora proposta, como ponto de partida da intervenção educativa dos 0 aos 5 anos, sem romper com a unidade da etapa dos 3 aos 5 anos e sem deixar de ter em conta que é necessária uma frequência de pelo menos dois anos como duração mínima necessária à inversão da tendência de reprodução social observável ao longo da escolaridade.
2 — Que esta universalidade seja entendida como compromisso do Estado e não como frequência obrigatória por parte das crianças,salvaguardando -se a legitimidade da opção das famílias e a diversidade de modalidades educativas possíveis.
3 — A fixação do acesso à educação de infância para todas as crianças no ano lectivo imediatamente anterior ao do seu ingresso no 1.º ciclo do ensino básico.
4 — A inclusão das componentes educativa e de apoio social à família na gratuitidade do serviço público de educação de infância, definindo -se uma rede de proximidade, que tenha em conta a oferta já instalada.
5 — O alargamento da oferta pública de educação de infância através da criação efectiva de novos estabelecimentos e recursos associados, destinados a acolher todas as crianças que devem frequentar este nível educativo, e da requalificação de outros que não reúnam as condições
necessárias.
6 — A prevenção do risco de escolarização do último ano da educação de infância, preservando a sua identidade própria.
7 — O investimento na qualidade, designadamente da formação inicial e contínua de educadores e pessoal de apoio, da auto -avaliação dos 24966 Diário da República, 2.ª série — N.º 122 — 26 de Junho de 2009 estabelecimentos e do acompanhamento e monitorização das medidas
adoptadas.
8 — Um sério investimento no reforço da qualidade das aprendizagens no ensino básico, bem como no seu grau de exigência, que impeça a desvalorização social do diploma do 9.º ano e incentive a frequência do nível de ensino secundário.
9 — O desenvolvimento de novas políticas de apoio social às famílias mais carenciadas, directamente correlacionadas com os níveis de assiduidade e aproveitamento escolar dos alunos.
10 — O fomento de uma cultura de exigência, rigor, disciplina e trabalho pelas escolas do ensino secundário, promovendo a reorientação do seu perfil.
11 — A criação de plataformas territoriais, reguladoras das novas redes integradas de ensino e formação, que potenciem todos os recursos locais e regionais disponíveis e evitem o desperdício da capacidade instalada.
12 — A criação, nos territórios em que tal seja possível, de redes de formação que atribuam a determinadas escolas perfis de especialização técnica, tendo em consideração a respectiva capacidade instalada, de forma a evitar a descredibilização dos percursos qualificantes.
13 — O desenvolvimento de estratégias reais de apoio aos processos de decisão dos jovens, raparigas e rapazes, relativamente ao prosseguimento ou reorientação dos percursos educativos e formativos, assente na valorização das modalidades qualificantes por parte de professores,
pais, psicólogos e conselheiros de orientação vocacional.
14 — A construção de uma “identidade própria” para o ensino secundário, valorizando as suas potencialidades terminais (ainda que momentaneamente terminais), em todas as modalidades educativas e formativas e combatendo o carácter elitista e propedêutico que o tem caracterizado.
15 — A melhoria da flexibilidade curricular construída pelas equipas pedagógicas, garantindo que esta medida não se destina a assegurar tempo de escolaridade, mas sim aprendizagens significativas de qualidade.
16 — A revisão das normas relativas à contratação pelas escolas de docentes para as áreas tecnológicas e profissionais, por forma a responder seriamente ao incremento do ensino técnico, artístico e profissional nos estabelecimentos de ensino.
17 — A clarificação e aprofundamento do quadro em que as escolas exercem a sua autonomia, por forma a permitir a diversidade de soluções de proximidade e a adequação e qualidade das respostas.
18 — A disponibilização às escolas e centros de formação de equipas pluridisciplinares e interprofissionais que apoiem docentes, alunos, famílias e restante comunidade.
19 — A definição, por parte das instituições do ensino superior, politécnico e universitário, de uma estratégia de valorização das suas vias de formação de professores.
20 — A assunção, por parte dos estabelecimentos do ensino superior politécnico e universitário, em parceria e complementaridade, do desafio da formação dos professores e formadores das áreas técnicas e tecnológicas, a par com a preparação pedagógica, didáctica e científica
de especialistas provenientes do mundo empresarial.
21 — A reformulação do regime de acesso ao ensino superior, envolvendo modelos mais diversificados, que tenham em conta outros factores para além das classificações obtidas pelos alunos no final do ensino secundário.
22 — O alargamento da oferta de percursos qualificantes pós-secundário e superiores de curta duração, em articulação com a diversidade de percursos e de saídas do ensino secundário.
Finalmente, o Conselho Nacional de Educação chama ainda a atenção para a necessidade de equacionar os seguintes aspectos:
23 — A discrepância que passará a existir entre o limite etário, de 18 anos, para a frequência compulsiva da escolaridade obrigatória e a idade mínima legalmente definida para ingresso no mercado de trabalho, que é de 16 anos, terá de ser harmonizada, sob pena de se transformar a obrigação de matrícula do ensino secundário num mero acto formal, sem incidência real na formação dos jovens.
24 — A valorização de recrutamento de jovens com qualificações e remuneração adequadas deverá ser objecto de definição de uma estratégia de incentivos dirigida ao mundo empresarial.
25 — Os investimentos necessários à implementação das propostas apresentadas deverão integrar todas as dimensões decorrentes da aplicação de medidas com tão vasto impacto social.
26 — A diversidade das medidas tomadas nos últimos anos relativamente ao sistema educativo configura a necessidade de introduzir coerência no actual quadro legal.

CNE
Parecer n.º 3/2009
Parecer sobre a Proposta de Lei n.º 271/X que visa estabelecer o
regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens
que se encontrem em idade escolar e consagrar a universalidade
da educação pré -escolar para as crianças a partir dos cinco anos
de idade.


Se o poder político, nomeadamento o Governo e a AR, não tomar em conta estas recomendações, a obrigação escolar de 12/13 anos apenas será uma refinada e descarada hipocrisia política.

by JMA (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 11:12 PM

Azevedo life

Optimus Alive!09



Já falta pouco para o grande festival Optimus Alive!09 e a MusicAzevedo vai levar-te até ao festival através da excursão que está a realizar para o 1º e/ou 2º dia.

take care!

by Azevedo (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 06:01 PM

Terrear

A Rede de Oferta Formativa

Incidência sobre a oferta de ensino e formação e sobre as redes locais

Persiste uma elevada e nociva concorrência entre as várias ofertas e modalidades de ensino e de formação de nível secundário, o que pode vir a constituir um dos mais fortes entraves a um adequado cumprimento desta medida, em cada comunidade local.

Vários interlocutores sugeriram que é urgente criarem -se redes locais complementares e sustentadas na confiança recíproca (e não na lógica da ameaça) e que, seja no plano municipal, seja no plano intermunicipal, se construam organismos reguladores das novas redes integradas de ensino e de formação de nível secundário (plataformas territoriais para
a educação e formação, como também se lhes chamou). Estas plataformas territoriais seriam dotadas de efectivos poderes de regulação, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis e procurando todas as alternativas possíveis para que nenhum cidadão fique sem uma
adequada resposta educativa. Estes organismos de concertação, versáteis e locais, não devem integrar apenas representantes das autarquias e do Ministério da Educação, mas de todas as redes escolares e formativas existentes, que cumprem serviço público de educação e formação, além das redes sociais.

Importa evitar que em cada comunidade local se venha a acentuar a divisão entre escolas de primeira e escolas de segunda (estando reservadas a estas os percursos qualificantes), sendo preferível, como alguns interlocutores sublinharam, que se crie, nos municípios onde tal for
possível, uma rede de ofertas que atribua a certas escolas determinados perfis de especialização técnica, artística ou profissional.

Na definição da rede deverá apontar -se para a especialização de algumas escolas em determinadas áreas profissionais, tendo em consideração a respectiva capacidade instalada (recursos materiais e humanos). Já aquando do DNE se considerou que as ofertas de percursos qualificantes em escolas da rede pública deveriam ter em conta as necessidades locais
e regionais, assim como os recursos necessários ao seu funcionamento, de forma a evitar a descredibilização do ensino profissional.

A oferta de cursos de ensino secundário profissional em escolas secundárias, em curso desde 2004, é um enriquecimento das oportunidades de educação dos jovens que as frequentam. Várias escolas ouvidas pelo CNE alertam, no entanto, para várias e graves falhas
existentes no terreno, entre elas: ausência de docentes qualificados e de equipamentos específicos para as áreas técnicas e tecnológicas; precipitação na abertura de novos cursos sem que tivesse havido prévia formação de equipas e lideranças destas novas ofertas; desmotivação
por parte de docentes que, estando colocados em “escolas secundárias”, 24964 Diário da República, 2.ª série — N.º 122 — 26 de Junho de 2009 são “obrigados” a leccionar “cursos profissionais”, com públicos e exigências pedagógicas diferentes.

Parecer CNE, ref infra

by JMA (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 03:23 PM

Parecer do CNE - Obrigar a estar na escola durante 12 anos

Apreciação Geral
Importa desde já assinalar a principal conclusão geral do Conselho — entendemos que esta medida de alargamento da escolaridade obrigatória até ao termo do nível secundário e aos 18 anos é muito positiva e deve ser considerada, antes de mais, como uma medida de
política social de grande impacto potencial na sociedade portuguesa.
Saúda -se, portanto, a medida proposta, que constitui uma oportunidade importante para melhorar o nível de qualificação da população portuguesa, em especial das suas camadas mais jovens, o que terá certamente benefícios gerais a nível cultural, social e económico, num curto e médio prazos, se for conduzida de forma adequada.
Como medida de política eminentemente social, os seus impactos têm necessariamente de ser considerados em múltiplas vertentes (políticas de ensino e formação profissional, políticas de acesso ao ensino superior, políticas de emprego e de acesso ao trabalho, políticas de solidariedade social e apoio às populações economicamente mais carenciadas, políticas de valorização social das qualificações, entre outras) e não podem nem devem ser encerrados no contexto escolar, sob pena de perderem a sua eficácia e abandonarem o seu desígnio mais profundo.
O aumento da escolaridade obrigatória e das oportunidades educativas para os jovens é um objectivo social de grande alcance, a médio e longo prazos, devendo por isso mobilizar toda a sociedade portuguesa para o seu progressivo cumprimento. Pode e deve também ser “lido” como um sinal, que se transmite a toda a sociedade, de valorização do saber e do conhecimento nas sociedades actuais e na construção de um futuro melhor. O desafio é particularmente forte para as famílias e para as escolas, sem esquecer o papel relevante das autarquias, dos empresários
e de outras instituições sociais.
Por outro lado, o alargamento da escolaridade até ao nível secundário e aos 18 anos deve ser fundamentado, como temos vindo a sublinhar ao longo dos anos, não apenas na pertinência económica dos seus impactos, mormente na competitividade da economia do País, mas também nas oportunidades de desenvolvimento humano e de realização pessoal que
pode proporcionar a muitos milhares de jovens portugueses que, desmotivados e sem recursos financeiros familiares, abandonavam prematura e sem qualquer qualificação o ensino e a formação. Há que ter em conta o facto de esta medida se somar a outros alargamentos, relativamente recentes, do período de escolaridade, cujos
benefícios não foram ainda assimilados pela sociedade. Por outro lado, surge numa altura em que o sistema escolar, nos níveis abrangidos, atravessa um período difícil de adaptação a novos desafios de autonomia e de avaliação, que foram geradores de tensões e de desajustamentos.
Em concreto, a medida proposta irá incidir sobre um sistema que se esforça por afirmar uma melhoria de qualidade em cada um dos seus escalões, a qual nem sempre é reconhecida pela sociedade em geral e em particular pelos escalões de ensino que se seguem. Torna -se, por
isso, necessário assegurar que a medida proposta não só não degrade a qualidade do ensino como até contribua para a sua melhoria em geral.

(...)
O CNE chama ainda a atenção para o facto de que, a manter -se uma procura empresarial de novos trabalhadores baseada na mão -de -obra desqualificada e mal remunerada, se darão sinais contraditórios aos jovens e às famílias sobre as vantagens do prolongamento da escolaridade
obrigatória de todos os portugueses. O mundo empresarial deverá, por isso, cuidar de modo muito especial dos sinais que dá aos jovens e às suas famílias quando se trate de investir em mais qualificação escolar e profissional inicial. Poderão estudar -se e colocar -se no terreno mecanismos de incentivo à contratação de jovens qualificados com o 12.º ano, em qualquer das suas modalidades qualificantes. “Impõe -se uma mudança das estratégias de recrutamento de muitos empregadores, que têm de se dirigir para a procura de trabalhadores
muito mais qualificados, seguindo um perfil de especialização económica assente na qualidade, na inovação e na internacionalização.” (8)

Nem mais, nem menos.

Parecer integral

by JMA (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 03:18 PM

Do vento

Feliz, quem sabe, o vento. Sem memória,
beijando-me nos lábios, ele abraça
o meu destino às cegas na paisagem.
É sempre nesse instante que regresso
à poalha do céu onde começa
talvez a maldição, talvez o encanto
de invocar-te em silêncio. Porque, eu sei,
entre palavras morre a cor dos sonhos,
o vão pressentimento de estar vivo.

Feliz talvez o vento e no entanto,
arrasta ainda areia e vagas vozes
na praia ao abandono. A luz da tarde
encobriu-se de névoa, só o mar
ficou perto de mim – agora é simples:
as ondas trazem novo o teu sorriso,
movem o seu abismo nos meus olhos,
mas lágrimas nenhumas vão salvar-me
o corpo, a alma, as cinzas, esta vida.


Fernando Pinto do Amaral,

“Praia” recolhido hoje em

http://novelosdesilencio.blogspot.com/

e via Amélia Pais

by JMA (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 03:06 PM

Dois dedos de prosa e poesia

VERDADE, VERDADINHA!...

 

No entanto, SANTANA LOPES é o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.
 
in Memórias de um Elefante

 

by André Portelinha at June 30, 2009 01:31 PM

QUEM ÉS TU MIÚDA

 

Quando passas à minha rua
Como um anjo que flutua
Os teus pés, nunca pisam o chão

E a cada passo teu
Sem saber, eu troco o meu
Como se pisasses o meu coração

E até as flores do jardim
Mudam de cor, ao ver-te assim

Eu já não posso mais conter
Esta ansiedade de te ver

Quem és tu...
Quem és tu...miúuuuda
Nesse sobressalto, desse salto alto
Quem és tu...miúuuuda
Que me atormentas, em câmara lenta
Quem és tu...miúuuuda
Miúda quem és...

Há certos momentos em que eu acho
Que não passas de um golpe baixo
Fantasia, de um pobre coração

Cá vou eu de sentinela
Pôr-me a espreita, na janela
Nem sequer, sei se existes ou não

E até os velhos do jardim
Mudam de tom ao ver-te assim

Eu já não posso mais conter
Esta ansiedade de te ver

Quem és tu...miúuuuda
Quem és tu...miúuuuda
Nesse sobressalto, desse salto alto
Quem és tu...miúuuuda
Que me atormentas, em câmara lenta
Quem és tu...miúuuuda (uuu, miúuda, uuuu aaaaaa, uuuu aaaa)
Quem és tu...miúuuuda
Miúda quem és...miúuuuda
Miúda quem és tu...miúuuuda
Miúda quem és...miúuuuuda
Miúda, quem és tu...miúuuuda
Miúda, miúuuuda...miúuuuda

 

Os Azeitonas

 


 


by André Portelinha at June 30, 2009 01:10 PM

Espero bem que não

Reles Imitação!




Anda tudo a imitar toda a gente e o mundo transformou-se num imenso karaoke onde vamos imitando os que mais apreciamos. O preço da originalidade é muito elevado e demora muito, enquanto reciclar o que já está feito, é mais imediato, não demora nada. A rádio infelizmente percebeu isso e já são poucas as estações que não vou atrás do que lhes é imposto pela tirânica ditadura das charts mundiais. Se a editora diz que aquele é o primeiro tema a passar do álbum do artista, então vamos todos passar aquele tema como se não houvesse mais nenhum em todo o álbum e como se nós não pudéssemos ter uma opinião, um gosto musical divergente. Como cordeiros, portanto.


Anda tudo a imitar toda a gente e ninguém faz caso disso. Pelo contrário, aplaudem. “ Que bela imitação!” – dizem-nos. “ Que igual é ao original, que maravilha!”. E se os pobres imitadores desde logo o revelam, eu não me importo. Pior é quando não o fazem, quando imitam e chamam a si uma originalidade que não é sua. Dizem-me que uma imitação é sempre uma homenagem a quem está a ser imitado. Pois bem, eu acho um ultraje, um roubo, uma tristeza tão grande que a ser chorada, transbordaria o Douro e o Tejo juntos.


O problema é que mal nascemos, nos ensinam a imitar comportamentos, gestos, palavras, hábitos e quando damos por nós, antes mesmo de imitarmos a Shakira ou o Ricky Martin no café ao fundo da rua – até aí tudo bem! - estamos a imitar os nossos pais e a desde logo, aceitar uma originalidade que não é nossa. Daí tanto se perguntar a quem é que sai determinado filho mal ele nasça. A quem é igual, o miúdo? Perguntam-nos. E o contentamento cresce à medida que alguém: É igualzinho ao pai!. Se um dia tiver um filho, eu não quero que o meu filho seja igual a mim, que alguém o livre disso. Quero – isso sim – que seja inteligente como a mãe e bonito como a mãe. Agora, igual a mim? Deus o salve que eu não posso.


O mundo anda a imitar-se em demasia e tudo me parece mais igual. A tal ponto, que há já pessoas a imitarem outras, que por sua vez já estão – também elas – a imitar alguém. O próprio mundo deve estar de certezinha a imitar um outro planeta que acabou mal. O que me leva a concluir que todos nós, somos o produto acabado de uma série de imitações e que só alguns conseguimos escapar. A diferença é que há alguns que fazem alguma coisa por ser originais. E outros que nunca passarão de uma reles imitação.

by Contactos (noreply@blogger.com) at June 30, 2009 07:05 AM

June 29, 2009

Terrear

Abandono

Uma aluna não quer estudar mais. Abandona os estudos. Não quer prosseguir. Está cansada, saturada. Quer fazer outra coisa. Fazer algo. Trabalhar.
Hoje falei de novo com ela. Não fui capaz de apresentar razões válidas, de peso. E existem?

Dizias com convicção
(que é um estado de espírito):
“Não vejo o fim”.
O “fim” era o final,
o “fim” era o sentido.
Talvez tivesses razão.
Procurei convencer-te,
pedi-te, por favor, que reflectisses,
que tentasses de novo,
de novo,
de novo.
Tinha pena que te fosses embora
porque era pôr ponto final
a uma carreira.
Porque, na verdade, a tua ida significava
o reconhecimento de que nada tinha de convincente
a dizer-te,
nada de valioso
para oferecer-te.
Perante as minhas hesitações,
pedes-me, por favor, que não te peça,
que não insista,
que está tudo claro para ti:
“chega de torturas,
chega de esforços em vão,
chega de aborrecimentos diários”.
Não sei muito bem por que te digo que fiques,
que estudes mais um ano,
que talvez consigas ver, lá no fundo, uma esperança,
um novo sonho, agora ausente.
“Vou pensar” dizes tu.
E sei – tenho a certeza –
que já está tudo pensado
que tudo está já bem decidido.
Digo-te que fiques.
e o que pretendo é garantir que o que faço
deve sempre ser tido em conta, é o melhor,
embora isso não seja assim tão evidente.
Cada qual segue o seu caminho,
que percorre em cada dia que passa,
e que é muito pessoal, muito diferente.
Pretendes ser orientador
e, às vezes, nada mais consegues
do que transpor os teus critérios
(relativos, discutíveis)
para outro coração,
para outra mente.
Peço-te que fiques
porque prefiro que continues
a aprender a nosso lado
(coisas que não te divertem).
Não é isso, com certeza.
Penso, pois, que é muito melhor
não forçar, não pressionar,
desejar-te apenas muita sorte.
Aceitar simplesmente
que sejas tu a decidir
que sejas tu a buscar e que encontres.
Aceitar sermos para ti
um caminho percorridoque se esquece e se perde.

Miguel Santos Guerra, Obra citada

by JMA (noreply@blogger.com) at June 29, 2009 01:15 AM

Conselho de Turma

Conselho de turma para avaliação. Surgem juízos de valor sobre alguns alunos. Há ocasiões, mesmo, em que a troca de opiniões quase se transforma em lavagem de roupa suja.


Sentamo-nos como num tribunal.
E vão surgindo os réus.
Julgamo-los um a um:
insuficiente,
suficiente,
muito mau...
Eles nada dizem de si mesmos,
entre muitas outras razões, porque nem sequer estão presentes.
Não podem dizer,
embora não fosse correcto:
- Estudei muito, muitíssimo.
- Fui mal interpretado.
- O exame foi capcioso.
- Fui julgado com demasiado rigor.
Há muito a dizer
sobre as notas,
sejam elas quais forem.
Era isto o que havia a estudar?
(Porque talvez fosse preferível outra coisa).
Eram estas as perguntas importantes?
(Porque talvez houvesse outras...).
É esta a melhor forma de as apresentar?
(Porque talvez haja mil outras formas e mais uma).
Li correctamente, interpretei de forma literal?
(Porque talvez outros leiam de forma diferente
o que julgamos absolutamente igual).
Pontuei de forma justa e objectiva?
(Porque talvez tenham matizado as minhas impressões
a ocasião, o apelido, a amizade...).
É este o mínimo exigível, o mais necessário?
(Porque talvez haja outras fronteiras diferentes,
de acordo com o desejo, a irritação ou o humor).
A avaliação é uma cesta de vime
por onde se escoa a água da subjectividade,
ou do capricho,
ou do rigor.
Nesse insuficiente há,
sem dúvida,
uma parte muito grande do aluno,
mas outra,
grande também,
do professor.

Miguel Santos Guerra, Obra Citada infra

by JMA (noreply@blogger.com) at June 29, 2009 01:11 AM

A Aula, O Recreio

Gosto de ir até aos recreios. Misturar-me com a gente nova. Conversar calmamente no bar do colégio, enquanto não chega a hora da aula. Vou até lá receber a minha lição. Porque a aula é ali. A disciplina é a vida.


Descer ao seu nível
ou ascender até às suas vivências?
Não sei onde estão,
nem em que consistem esses desníveis.
Também costumamos dizer:
“Há que guardar as distâncias”.
Não sei sequer qual é
o peso e o sentido destes espaços
claramente psicológicos.
Estás necessariamente afastado
e é vã qualquer tentativa de aproximação?
Ou realmente atravessas abismos,
vences desníveis, preenches falhas de relação?
Suponhamos que assim é,
que podemos estar a seu lado,
“descer” (ou “ascender”) dos nossos preconceitos,
das nossas crenças,
dos nossos costumes inveterados,
ao íntimo da sua realidade,
dos seus interesses e emoções.
Suponhamos que assim é.
Que pretendemos nós?
Será que são eles que necessitam de nós,
ou antes, não seremos nós,
sim, nós, os adultos, a necessitar deles?
Pode ser que toda a tentativa de aproximação
mais não seja do que um engano camuflado,
porque – no fundo –
eles continuarão a ser alunos,
e nós continuaremos senhores do poder
e da força do castigo e da reprovação,
da sabedoria e da experiência,
da capacidade última de vetar e decidir.
Afinal,
toda a aproximação é uma ilusão,
uma miragem,
um disfarce?
Estamos inequivocamente afastados
porque a profissão,
os objectivos e as funções,
as expectativas e as responsabilidades
são radicalmente distintas?
Será melhor, então,
guardar convenientemente as distâncias,
exigir – ou deixar – que te tratem por senhor,
que te tratem sem excepções por você,
que tenham em conta “a tua posição”?
Não vá a mão no ombro
converter-se num jugo de servidão.
Não vá a proximidade transformar-se em controlo
e a companhia em amputação da liberdade.
Por outro lado,
que fazemos nós tão afastados quando eles gritam
pedindo ajuda,
e não os podemos ouvir?
Para que servimos nós se nunca nos ouvem
quando falamos
para ensinar, orientar, ou estimular?
Quem somos nós, como educadores,
se não formos alguém que está a seu lado,
que caminha a seu lado,
pelos mesmíssimos atalhos da vida?

Miguel Santos Guerra. Uma Pedagogia da Libertação. Porto:ASA

by JMA (noreply@blogger.com) at June 29, 2009 01:03 AM

Quatro Lógicas de Acção

Na acção social e organizacional podemos perspectivar quatro lógicas distintas - ou quatro quadrantes de acção:

A. Inteligente = Benefício para si + benefício para os outros (também chamada a 'soma postiva' em que todos ganham)
B. Bandido = Prejuízo para os outros + benefício para si
C. Estúpido = Prejuízo para si + prejuízo para os outros (também chamada a 'soma negativa' em que todos perdem)
D. Imprudente = Prejuízo para si + benefício para os outros.

by JMA (noreply@blogger.com) at June 29, 2009 12:42 AM

June 28, 2009

Espero bem que não

8000 pessoas viram em directo a conferência

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Foi na passada Quinta-feira que tudo aconteceu, em directo do meu quarto, na minha Casa da Caparica. Terá sido uma das mais singulares conferências de imprensa para apresentação de um novo canal de televisão, mas valeu a pena pela grande elevação com que terminou. Eis os últimos 5 minutos. Eu e Lydie quase fizemos esquecer John Lennon e Yoko Ono.

by Contactos (noreply@blogger.com) at June 28, 2009 06:35 PM

Terrear

Avaliação - sair do dilema

Lorsqu’elle se décide à affronter le problème, l’école oscille entre une impossible obligation de résultats et une stérile obligation de pro­cédure (Perrenoud, 1996 b). J’ai proposé de sortir de ce dilemme en allant vers une véri­table obligation de compé­tences. Pour cela, il faut rompre :


- avec l’illusion qu’on peut attendre des résultats standards d’un enseignant, indé­pendamment de sa classe et de son environnement ;
- avec la tentation de le tenir pour quitte s’il souscrit à une obligation de procé­dure : programmes, horaires, moyens d’enseignement, mo­dalités formelles d’éva­luation.


Honorer une obligation de compétence, c’est “ faire tout ce qui est humainement et professionnellement faisable ”, sans être condamné à réussir, mais sans pouvoir se protéger derrière la formule bureaucratique “ J’ai observé le règlement à la lettre, on ne peut rien me reprocher ”. Un défaut de compétence n’est pas de l’ordre d’une infraction à une règle. C’est une réponse décevante à une attente légi­time à l’égard du professionnel : qu’il fasse preuve de discerne­ment, de jugement, d’esprit d’initiative et de décision, d’efficacité dans l’identification et la résolution des problèmes et de respect d’un code éthique (la fin ne justifie pas tous les moyens).

http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_1996/1996_30.rtf

by JMA (noreply@blogger.com) at June 28, 2009 05:06 PM

Dois dedos de prosa e poesia

Encontro útil e pleno de riqueza estratégica…

José Sócrates reuniu uma série de notáveis para ajudar o PS a pensar e a reflectir, tendo em conta os próximos actos eleitorais. O encontro decorreu em Lisboa, na quinta-feira, e contou com a presença de António Mexia, presidente da EDP, António Carrapatoso, presidente da Vodafone, Henrique Granadeiro, presidente da PT, para além de Júdice e Proença de Carvalho.

 

in DN

 

Tendo em conta a hemorragia de votos de protesto do PS para a esquerda do PS, este encontro deve ter sido não só útil como pleno de riqueza estratégica.

 

João Tunes in Agua Lisa

by André Portelinha at June 28, 2009 09:21 AM